
A Venezuela e o sonho de Bolívar
Data 06/01/2026 16:04:33 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| O sonho de Simón Bolívar Nasceu como um sol continental: Uma pátria grande, sem correntes, Onde as fronteiras fossem apenas rios E a dignidade, língua comum. Bolívar sonhou com povos irmãos, Não tronos, Não salvadores eternos, Mas homens livres governando a si mesmos Com a sobriedade De quem conhece o peso da História. A Venezuela, porém, tornou-se um espelho partido. O petróleo brilhou como ouro fácil E ensinou o poder A confundir abundância com justiça. A palavra “revolução” foi repetida Até perder o sentido Como uma bandeira usada para cobrir ruínas. Hoje, o sonho anda pelas ruas vazias, Na fome silenciosa, No êxodo Que carrega casas inteiras dentro de mochilas, Nas mães que transformaram a esperança Em resistência diária. Bolívar temia isso. Temia que a liberdade, mal cuidada, Fosse trocada por novos grilhões Feitos de discursos, idolatrias E promessas eternamente adiadas. A tragédia venezuelana não é só política, É espiritual. É o momento em que um povo é forçado A escolher entre sobreviver Ou continuar acreditando. Mas sonhos verdadeiros não morrem. Eles adoecem, sangram, Ficam soterrados sob a poeira da História, Até que alguém, um dia, Os desenterre com coragem E os liberte outra vez, Não em nome de um homem, Mas em nome da vida e da liberdade. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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