
Pila Sagrada
Data 07/01/2026 23:57:30 | Tópico: Poemas
| Ficaste impregnado em mim. Ficaste agarrado como um corpo dentro de outro corpo! Sim!
Escolheste a morada errada! Vai pro caralho, penso eu! Habitas em mim e eu te levo como um cemitério ambulante. Eu já estou morta. Vivo na minha tumba sentimental, fechada com o teu nome!
Os outros nada me dizem. Maldito seja!
Ainda que me atirem beijos e pilas eretas, nada me dizem! Posso até ficar úmida, ainda assim, nada me dizem.
Por que eu deveria agarrar com as pernas outra pila que não a tua?
Não é outra que quero. Quero a tua! A tua como alimento. A tua como se pudesse saciar toda a minha sede e fome.
Sim, quero a tua. Não a outra. Não outras.
Sonhei contigo como se fosses Osíris. Acho que foi de tanto reivindicar a tua presença fálica. Sim, o sonho tinha pila, obviamente. E eu era tua Ísis, claro.
Eu ri. Juro. Acordei rindo.
Não havia mito melhor para invadir o meu mundo astral.
E lá, deixaram a tua pila à porta do templo. E reluzia!
Acordei do sonho. Lembrei que a tua pila é branca, azeda. Não é de ouro! Mas, é linda.
Não é minha, mas é!
Talvez seja até sem graça para outras mulheres. Para mim, não!
Você me dá arritmia. Maldito seja!
Envia a pila pelo correio, já que você não vem.
Mas, por favor, coloca a morada certa.
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