Ficaste impregnado em mim.
Ficaste agarrado como um corpo dentro de outro corpo! Sim!
Escolheste a morada errada! Vai pro caralho, penso eu!
Habitas em mim e eu te levo como um cemitério ambulante.
Eu já estou morta.
Vivo na minha tumba sentimental,
fechada com o teu nome!
Os outros nada me dizem.
Maldito seja!
Ainda que me atirem beijos e pilas eretas,
nada me dizem!
Posso até ficar úmida,
ainda assim, nada me dizem.
Por que eu deveria agarrar com as pernas
outra pila que não a tua?
Não é outra que quero.
Quero a tua!
A tua como alimento.
A tua como se pudesse saciar
toda a minha sede e fome.
Sim, quero a tua.
Não a outra.
Não outras.
Sonhei contigo como se fosses Osíris.
Acho que foi de tanto reivindicar a tua presença fálica.
Sim, o sonho tinha pila, obviamente.
E eu era tua Ísis, claro.
Eu ri.
Juro.
Acordei rindo.
Não havia mito melhor
para invadir o meu mundo astral.
E lá, deixaram a tua pila
à porta do templo.
E reluzia!
Acordei do sonho.
Lembrei que a tua pila é branca, azeda.
Não é de ouro!
Mas, é linda.
Não é minha,
mas é!
Talvez seja até sem graça
para outras mulheres.
Para mim, não!
Você me dá arritmia.
Maldito seja!
Envia a pila pelo correio,
já que você não vem.
Mas, por favor, coloca a morada certa.