PONTO CEGO (soneto)

Data 08/01/2026 06:29:13 | Tópico: Poemas

Quem ergue o trono e crê domar o vasto mundo,
e faz de si o próprio medo, força e armadura,
ignora que a muralha mais alta e segura
tem pontos fracos, frestas e fendas sem fundo.

Ainda que acredite controlar cada segundo,
erguendo-se sobre o caos a própria altura,
segue envolto no vício, e abre alguma fratura,
em todo espaço mais oculto e mais profundo.

O poder real escapa a toda ganância,
por ângulos sutis que a vista desconhece,
zomba da tirania e de sua arrogância.

Em silêncio arruína, e segue indiferente.
O bruto tropeça e cai e, sem sua sorte e prece,
quebra em pedaços vistos só parcialmente.


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