Morrerei incompreendido

Data 15/01/2026 20:05:25 | Tópico: Poemas -> Introspecção

Morrerei incompreendido, mas fiel a mim.
E talvez seja isso o máximo de coerência
Que um indivíduo pode oferecer ao mundo:
Ser inteiro
Onde ninguém quis compreender a metade.

Há quem negocie a alma em busca de aplausos,
Eu só negocio o silêncio,
Pois ali, pelo menos, não me traio.

Os que se ajoelham por aprovação
Nunca saberão o gosto de caminhar ereto
Mesmo sob o peso da solidão.

Se falarem de mim após o fim,
Que digam apenas:
“Não foi possível domesticá-lo”.
Talvez assim entendam
Que algumas vidas são tempestades,
Não jardins.

Quem nasce para estilhaço
Não aceita molduras.

E se me chamarem de teimoso,
Que seja,
Prefiro a teimosia da autenticidade
Ao conforto da imitação.

Pois morrer incompreendido
É só o preço de ter vivido verdadeiro.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense
www.odairpoetacacerense.blogspot.com

INstagram
@poetacacerense



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=382212