Poemas -> Introspecção : 

Morrerei incompreendido

 
Morrerei incompreendido, mas fiel a mim.
E talvez seja isso o máximo de coerência
Que um indivíduo pode oferecer ao mundo:
Ser inteiro
Onde ninguém quis compreender a metade.

Há quem negocie a alma em busca de aplausos,
Eu só negocio o silêncio,
Pois ali, pelo menos, não me traio.

Os que se ajoelham por aprovação
Nunca saberão o gosto de caminhar ereto
Mesmo sob o peso da solidão.

Se falarem de mim após o fim,
Que digam apenas:
“Não foi possível domesticá-lo”.
Talvez assim entendam
Que algumas vidas são tempestades,
Não jardins.

Quem nasce para estilhaço
Não aceita molduras.

E se me chamarem de teimoso,
Que seja,
Prefiro a teimosia da autenticidade
Ao conforto da imitação.

Pois morrer incompreendido
É só o preço de ter vivido verdadeiro.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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