A brotar no Alentejo igual ao vento suão nas abas de um cabanejo anda o mote de mão em mão.
Quantos poetas perdidos nesta terra tão velhinha onde a ceifa foi rainha os sobreiros são sentidos neles se ouvem gemidos pia o melro, canta o gaio o seu cante é um regalo por entre a verde ramagem pressinto a leve aragem a brotar no Alentejo.
Salta a quadra atrevida por entre estevas e montes brotam versos, frescas fontes espalhadas pela campina até parece que é sina ao rimar em contramão desafias o vento suão nesta terra sempre viva metes as mãos na lida igual ao vento suão.
Varres sempre o mau agoiro e nos livras das maleitas ao espargir rimas bem-feitas este povo é um tesoiro brilhante, o peito moiro ao cantar é benfazejo e no campo grita a desejo este saber engalanado o seu sonho anda anafado nas abas de um cabanejo.
Tanto tinha p’ra dizer dos poetas e sua história que me trazem à memória as origens e o sofrer também me trazem o Ser a vontade, a União sol agreste, adoração E nos olhos rasos de água há poetas e suas mágoas. Anda o mote de mão em mão.
Antónia Ruivo.
As décimas são uma expressão da poesia popular alentejana, em vias de extinção. Interligadas à oralidade, aos poetas repentistas, ao povo e às tradições.