Poemas : 

Anda o mote de mão em mão " Décimas"

 
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Mote

A brotar no Alentejo
igual ao vento suão
nas abas de um cabanejo
anda o mote de mão em mão.


Quantos poetas perdidos
nesta terra tão velhinha
onde a ceifa foi rainha
os sobreiros são sentidos
neles se ouvem gemidos
pia o melro, canta o gaio
o seu cante é um regalo
por entre a verde ramagem
pressinto a leve aragem
a brotar no Alentejo.


Salta a quadra atrevida
por entre estevas e montes
brotam versos, frescas fontes
espalhadas pela campina
até parece que é sina
ao rimar em contramão
desafias o vento suão
nesta terra sempre viva
metes as mãos na lida
igual ao vento suão.


Varres sempre o mau agoiro
e nos livras das maleitas
ao espargir rimas bem-feitas
este povo é um tesoiro
brilhante, o peito moiro
ao cantar é benfazejo
e no campo grita a desejo
este saber engalanado
o seu sonho anda anafado
nas abas de um cabanejo.


Tanto tinha p’ra dizer
dos poetas e sua história
que me trazem à memória
as origens e o sofrer
também me trazem o Ser
a vontade, a União
sol agreste, adoração
E nos olhos rasos de água
há poetas e suas mágoas.
Anda o mote de mão em mão.

Antónia Ruivo.
















































Era tão fácil a poesia evoluir, era deixa-la solta pelas valetas onde os cantoneiros a pudessem podar, sachar, dilacerar, sem que o poeta ficasse susceptibilizado.

Duas caras da mesma moeda:

Poetamaldito e seu apêndice ´´Zulmira´´
Julia_Soares u...

As décimas são uma expressão da poesia popular alentejana, em vias de extinção. Interligadas à oralidade, aos poetas repentistas, ao povo e às tradições.
 
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Antónia Ruivo
 
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