Mesmo Ponto

Data 02/02/2026 04:11:55 | Tópico: Poemas

Amei como quem perde
a medida do mundo.
Nada em mim ergueu
pedido ou promessa.

Descobri que a ausência
não diminui o amor.
Ela o funda.
É nela que respiro
sem descanso.

Não alcanço.
Mesmo assim
há um eixo
em torno do qual
tudo insiste.

O amor não consola.
Pede vigília,
lucidez ferida,
fidelidade sem defesa.

Olhar deixou de ser gesto.
É criação violenta.
Tudo o que vejo
me atravessa.

E se nisso me gasto,
nasço
no mesmo ponto
em que me perco.



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