Amei como quem perde
a medida do mundo.
Nada em mim ergueu
pedido ou promessa.
Descobri que a ausência
não diminui o amor.
Ela o funda.
É nela que respiro
sem descanso.
Não alcanço.
Mesmo assim
há um eixo
em torno do qual
tudo insiste.
O amor não consola.
Pede vigília,
lucidez ferida,
fidelidade sem defesa.
Olhar deixou de ser gesto.
É criação violenta.
Tudo o que vejo
me atravessa.
E se nisso me gasto,
nasço
no mesmo ponto
em que me perco.