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Data 02/02/2026 22:12:29 | Tópico: Poemas

quatro zoes
carregam nos postos do mercadona

troco o saco
das batatas e volto
ao corredor
dos iogurtes
ananás manga banana
os trópicos em frascos

os meus antepassados
conquistaram mares
de vera cruz
a taprobana

eu empurro o carrinho
com batatas brancas
ao longo da banca do peixe

é o mais próximo
que consigo ficar
do mar
sem me afogar
sem acordar
o formigueiro na coluna
sem a perna falhar

sigo cansado
sem a energia dos navegadores

os zoes ainda carregam
orgulhosos
da cor
bege
e
azul bebé
pachorrentos
nem sombra
da ferocidade de uma nau
da majestade de uma caravela

o condutor fuma
o boné tapa os olhos
fruste ensaio de marejar
o bebé agarra a chupeta
na mão pequenina
a idosa segura as costas

vinte horas
de um dia partido
vinte horas
de um dia doente
vinte horas
de um dia cinza

somos tanto
e tão pouco
somos nada

encaixo o carrinho
na fila dos carrinhos
assim faria
vasco da gama
se vivesse esta vida
este corpo
e
este tempo


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