
POR FALTA DE...
Data 06/02/2026 11:09:08 | Tópico: Poemas -> Amizade
| Teu nome foi amor, hoje mora no lugar mais quieto que eu tenho. E esse silêncio é bom de ouvir — É chuva após dia inteiro de calor.
O tempo fez a curva o vento em cada esquina, ensina. E o que foi cuidado, ficou. Ficou de pé, inteiro, derradeiro ficou maior do que nós dois. Mas certas melodias pedem outro tom de voz. O fim é gesto lento. O fim se faz à mão — A mesma mão que um dia teceu sonho em nosso coração. A chave enferruja — Igual a minha fé, a casa esta de pé. A despedida constrói. O desgaste encerra. No adeus sereno mora uma lealdade antiga, dessas que se reconhecem no olhar, dessas que cabem no silêncio, dessas que ficam. A gente foi casa antes das goteiras. Dois corpos, um só abrigo, um mesmo girassol. Hoje, ao relento, ao sol. Guardar o que importa já é bastante. A vida é semente. E semente sabe aonde ir — Requer campo fértil para florir. Somos melhores amigos do que amantes feridos. Antes que o doce amargue, antes que o bom se gaste, salvemos o que resta de nós. E o que resta de nós é o melhor de nós. Se é por falta de adeus — adeus, adeus, adeus. Sereno, como a gente se quis. O que ficou, ficou bonito. Bonito como foi feliz. Eu sigo. Livre pra ser um. Somar dois. Sem ser metade. Sempre.
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