Teu nome foi amor, hoje mora
no lugar mais quieto que eu tenho.
E esse silêncio é bom de ouvir —
É chuva após dia inteiro de calor.
O tempo fez a curva
o vento em cada esquina, ensina.
E o que foi cuidado, ficou.
Ficou de pé, inteiro, derradeiro
ficou maior do que nós dois.
Mas certas melodias
pedem outro tom de voz.
O fim é gesto lento.
O fim se faz à mão —
A mesma mão que um dia
teceu sonho em nosso coração.
A chave enferruja
— Igual a minha fé,
a casa esta de pé.
A despedida constrói.
O desgaste encerra.
No adeus sereno
mora uma lealdade antiga,
dessas que se reconhecem no olhar,
dessas que cabem no silêncio,
dessas que ficam.
A gente foi casa
antes das goteiras.
Dois corpos, um só abrigo,
um mesmo girassol.
Hoje, ao relento, ao sol.
Guardar o que importa
já é bastante.
A vida é semente.
E semente sabe aonde ir —
Requer campo fértil para florir.
Somos melhores amigos
do que amantes feridos.
Antes que o doce amargue,
antes que o bom se gaste,
salvemos o que resta
de nós.
E o que resta de nós
é o melhor de nós.
Se é por falta de adeus —
adeus,
adeus,
adeus.
Sereno,
como a gente se quis.
O que ficou, ficou bonito.
Bonito como foi feliz.
Eu sigo.
Livre pra ser um.
Somar dois.
Sem ser metade.
Sempre.
Souza Cruz