
ERA VERMELHO
Data 15/02/2026 15:39:01 | Tópico: Poemas
| O rapaz, sangue em levante, Ela, o riso ao livre vento, Eram febre faiscante, Carne viva e rutilante, Sem pesar no pensamento.
Vinha a febre da loucura Sem saber o amanhã, Mastigavam a ternura Como fruta em polpa mura, Como a brisa da manhã.
Era o golpe contra a sorte, Só a fúria da alegria; Ter o mundo, ter a sorte, Num abraço, o laço forte Que o amor fortalecia.
Rói o mofo o tecto mudo Nesta casa onde estou; Aquele amor vagabundo Perdido noutro mundo Que a vida adulta levou.
Sinto a falta da incerteza Neste chão de solidão, Onde o sonho se comprime E a vontade se reprime De ter os pés bem no chão.
Hoje o amor não tem cor, Nem a chama que senti; Causa um tédio, causa dor, Sofro o mudo e vil horror De estar só e estar aqui.
Carlos Lopes
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