ERA VERMELHO

Data 15/02/2026 15:39:01 | Tópico: Poemas

O rapaz, sangue em levante,
Ela, o riso ao livre vento,
Eram febre faiscante,
Carne viva e rutilante,
Sem pesar no pensamento.

Vinha a febre da loucura
Sem saber o amanhã,
Mastigavam a ternura
Como fruta em polpa mura,
Como a brisa da manhã.

Era o golpe contra a sorte,
Só a fúria da alegria;
Ter o mundo, ter a sorte,
Num abraço, o laço forte
Que o amor fortalecia.

Rói o mofo o tecto mudo
Nesta casa onde estou;
Aquele amor vagabundo
Perdido noutro mundo
Que a vida adulta levou.

Sinto a falta da incerteza
Neste chão de solidão,
Onde o sonho se comprime
E a vontade se reprime
De ter os pés bem no chão.

Hoje o amor não tem cor,
Nem a chama que senti;
Causa um tédio, causa dor,
Sofro o mudo e vil horror
De estar só e estar aqui.

Carlos Lopes


Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=382573