
Ética da Alma
Data 20/02/2026 18:43:10 | Tópico: Poemas
|  Ética da Alma
A estranheza de tantas procuras habitam os labirintos da mente e oque é humano toca o dissidente É pela criação, e não pela espada, e eleva sua alma ao ápice do nada.
Sentimentos são abismos férteis, onde dor e loucura se expandem ao infinito. Um sentir acrimonioso: aguçar o olhar é acender luzes para que a inquietação vire um gozo esquisito.
Há uma força silenciosa no verso: que faz aflorar os fluídos do sentir, derrubando falsos preconceitos. O humano que escreve se torna raro quando oferece a palavra transforma a noite em dia claro, não para si, mas para a elucubração da alma e para a carne, anteparo.
No mais, por si, o que resta é vazio. sem valor, nem sentido, um apagar das luzes da ribalta. O que é essencial basta ao despertar: mudar é aprender a partilhar, amar é reconhecer no outro o que também nos falta.
O que é o Éden, senão pergunta? O que é o “quê”, senão experiência sentida? O que é o tudo, por mais que se possua? A escrita não responde, flui pelas mãos do artista e ela continua.
Existe um além do visível: crer sem ter os olhos fechados, razão sem arrogância, dedicação como disciplina do ser. O corpo exige alimento correto, o pensamento exige análise justa — não rude, não caótica, ser um humano responsável não custa.
A simplicidade da rosa, o excesso corrói os reflexos. Uma mente saudável é esforço contínuo: a arrogância é sem nexo habitar a si mesmo traz o precioso com sua presença é mais digno do que adulterar a própria essência.
A criação é também descanso. É aventura literal, diálogo entre mito e emoção, faz do irreal, real. Não se deve ceder às farsas do poder, nem confundir crença com manipulação.
A mansidão nas cores da natureza: rochas, águas, quedas pequenas, tudo imensamente belo. O fluxo é terapia, o lugar certo preserva o equilíbrio, cada ser é único. Um universo em forma de verso, em sentidos paralelos.
Preencher corações não é possuir, é permitir o espanto. Crianças lembram o que esquecemos: curiosidade é forma de sabedoria.
A cultura também educa o sensível: o riso que resiste ao tempo, a imaginação que cria mundos, os ícones que revelam humanidade no gesto simples.
Valorizar o outro é um ato moral. Afastar-se do escárnio é lucidez. Diante da imensidão, o poema não conclui, ele se oferece. Trazendo luz a escuridão.
Alexandre Montalvan
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