
Ética da Alma
A estranheza de tantas procuras
habitam os labirintos da mente
e oque é humano toca o dissidente
É pela criação, e não pela espada,
e eleva sua alma ao ápice do nada.
Sentimentos são abismos férteis,
onde dor e loucura se expandem ao infinito.
Um sentir acrimonioso:
aguçar o olhar é acender luzes
para que a inquietação vire um
gozo esquisito.
Há uma força silenciosa no verso:
que faz aflorar os fluídos do sentir,
derrubando falsos preconceitos.
O humano que escreve se torna raro
quando oferece a palavra
transforma a noite em dia claro,
não para si,
mas para a elucubração da alma
e para a carne, anteparo.
No mais, por si, o que resta é vazio.
sem valor, nem sentido, um apagar
das luzes da ribalta.
O que é essencial basta ao despertar:
mudar é aprender a partilhar,
amar é reconhecer no outro
o que também nos falta.
O que é o Éden, senão pergunta?
O que é o “quê”, senão experiência sentida?
O que é o tudo, por mais que se possua?
A escrita não responde,
flui pelas mãos do artista e ela continua.
Existe um além do visível:
crer sem ter os olhos fechados,
razão sem arrogância,
dedicação como disciplina do ser.
O corpo exige alimento correto,
o pensamento exige análise justa —
não rude, não caótica,
ser um humano responsável não custa.
A simplicidade da rosa,
o excesso corrói os reflexos.
Uma mente saudável é esforço contínuo:
a arrogância é sem nexo
habitar a si mesmo
traz o precioso com sua presença
é mais digno
do que adulterar a própria essência.
A criação é também descanso.
É aventura literal,
diálogo entre mito e emoção,
faz do irreal, real.
Não se deve ceder às farsas do poder,
nem confundir crença com manipulação.
A mansidão nas cores da natureza:
rochas, águas, quedas pequenas,
tudo imensamente belo.
O fluxo é terapia,
o lugar certo preserva o equilíbrio,
cada ser é único.
Um universo em forma de verso,
em sentidos paralelos.
Preencher corações não é possuir,
é permitir o espanto.
Crianças lembram o que esquecemos:
curiosidade é forma de sabedoria.
A cultura também educa o sensível:
o riso que resiste ao tempo,
a imaginação que cria mundos,
os ícones que revelam humanidade
no gesto simples.
Valorizar o outro é um ato moral.
Afastar-se do escárnio é lucidez.
Diante da imensidão,
o poema não conclui,
ele se oferece.
Trazendo luz a escuridão.
Alexandre Montalvan
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