
O peso de não fazer nada
Data 21/02/2026 23:18:54 | Tópico: Poemas
| Não é que não doa, é que já não se sente. É um músculo atrofiado, a vontade. Uma cadeira vazia no meio da sala, enquanto a casa desmorona.
Alguém grita, ou chora, ou morre um pouco. E a gente olha para o teto, ou para a mosca na parede, ou para o pó que se acumula nos livros velhos. O que fazer? Para quê? Se no fim tudo é o mesmo.
A iniciativa é um pássaro que voou. Ou talvez nunca esteve, foi apenas um sonho tolo. Acostumamo-nos à quietude, ao não-movimento, a que outros decidam, a que o vento empurre.
Somos peritos na arte da desculpa, no "amanhã eu faço", no "não é problema meu". A vida passa como um trem sem paradas, e nós, na plataforma, com as mãos nos bolsos, olhando-o afastar-se, sem sequer um adeus.
Não há heroísmo na inação, apenas esquecimento. Um esquecimento lento, que nos corrói a alma. E quando queremos reagir, já é tarde. O corpo pesa, a voz falha, o coração se apaga.
Assim nos tornamos estátuas de sal, monumentos ao que poderíamos ter sido e não fomos. Por medo, por preguiça, por essa maldita indiferença que nos tornou cúmplices da nossa própria ruína.
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