Poemas : 

O peso de não fazer nada

 
Não é que não doa, é que já não se sente.
É um músculo atrofiado, a vontade.
Uma cadeira vazia no meio da sala,
enquanto a casa desmorona.

Alguém grita, ou chora, ou morre um pouco.
E a gente olha para o teto, ou para a mosca na parede,
ou para o pó que se acumula nos livros velhos.
O que fazer? Para quê? Se no fim tudo é o mesmo.

A iniciativa é um pássaro que voou.
Ou talvez nunca esteve, foi apenas um sonho tolo.
Acostumamo-nos à quietude, ao não-movimento,
a que outros decidam, a que o vento empurre.

Somos peritos na arte da desculpa,
no "amanhã eu faço", no "não é problema meu".
A vida passa como um trem sem paradas,
e nós, na plataforma, com as mãos nos bolsos,
olhando-o afastar-se, sem sequer um adeus.

Não há heroísmo na inação, apenas esquecimento.
Um esquecimento lento, que nos corrói a alma.
E quando queremos reagir, já é tarde.
O corpo pesa, a voz falha, o coração se apaga.

Assim nos tornamos estátuas de sal,
monumentos ao que poderíamos ter sido e não fomos.
Por medo, por preguiça, por essa maldita indiferença
que nos tornou cúmplices da nossa própria ruína.

 
Autor
Juandabaron
 
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