Lucidez (soneto a Marx, Maquiável e Nietzsche)

Data 25/02/2026 02:15:52 | Tópico: Poemas

O brilho da ilusão se veste de razão,
o que parece bom não tem que ser verdade,
a ilusão devora aos poucos a liberdade —
pois tudo o que se crê fabrica uma prisão.

A bondade sem filtro encontra a perdição,
devorada por lobos, presa da maldade,
e o bem que se descuida encontra a crueldade —
vê cedo a sepultura, e não a salvação.

Mas toda estrada é curva, e tem seu defeito,
não foge a ferro e fogo, fuga ou fingimento,
e forja quem caminha pela dor mais dura:

Quem pisa firme o chão traz marcas em seu peito
e faz da lucidez o próprio fundamento,
que a vida sem verniz é vida sem moldura.


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