Poemas : 

Lucidez (soneto a Marx, Maquiável e Nietzsche)

 
 
Quem vê apenas brilho e crê na perfeição
o que parece bom não tem que ser verdade,
quem vive na ilusão cede a liberdade —
pois tudo o que se crê fabrica uma prisão.

Quem tem bondade pura encontra a perdição,
devorada por lobos, presa da maldade,
e quem só faz o bem, e ignora a crueldade —
vê cedo a sepultura, e não a salvação.

Mas toda estrada é curva, e tem seu defeito,
não foge a ferro e fogo, fuga ou fingimento,
e forja quem caminha pela dor mais dura:

Quem pisa firme o chão traz marcas no seu peito
e faz da lucidez o próprio fundamento,
que a vida sem verniz é vida sem moldura.


Souza Cruz

 
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