O brilho da ilusão se veste da razão,
e o que parece bom parece ser verdade,
O engano aos poucos devora a liberdade —
e tudo que se crê constrói ao fim prisão.
A bondade sem filtro encontra a perdição,
devorada por lobos, presa da maldade,
e o bem que descuida encontra crueldade —
e vê cedo a sepultura, e não a salvação.
Toda estrada é curva, e tem o seu defeito,
é feita a ferro e fogo, fuga e fingimento,
e forja quem caminha com a dor mais dura:
Quem pisa firme o chão traz marcas em seu peito
e faz da lucidez o próprio fundamento,
a vida sem verniz é tinta sem moldura.
Souza Cruz