
Raiz do Chão - Homenagem ao Lavrador Brasileiro | Moda de Viola
Data 25/02/2026 22:20:26 | Tópico: Letras de Música
| Das margens do Nilo ao cerrado e sertão. A saga se grava no sulco do chão. Passaram-se séculos, impérios, nações. Mas o cultivo persiste em nossas mãos.
O sol ainda dorme, mas o pulso já acorda. O galo anuncia, o sereno recorda. Não é só enxada, é extensão do braço. Quem beija o solo, não tem medo do cansaço.
A semente no bolso é um segredo guardado. Promessa de futuro no terreno molhado.
A linha da existência desenhada na palma. Ela carrega o cheiro da mata e da alma. Não é só barro, é história e mistura. Cada calo é medalha, cada sulco, escritura.
Quem planta o sustento não pede favor. É o esforço que constrói o nosso valor.
Salve a raiz que segura o chão. Salve o homem que é dono do próprio pão. Na lida bruta, nasce a poesia. Transformando o suor em cada dia.
Agricultor, alicerce da nação. O Brasil brota no seu coração.
Vem tempo de plantio, vem tempo de colheita. Tem lua que cresce, tem chuva que aceita. O lavrador sabe, não consulta relógio. O campo obedece a um antigo prólogo.
E quando a nuvem se abre em oração. A terra responde com o fruto na mão. O que foi plantado com fé e cuidado. Vira o alimento do povo abençoado.
O avô aponta para o horizonte distante. O filho herda o olhar vigilante. Não é só propriedade, é legado de gente. Passado de gerações, firmemente.
O neto pergunta, o velho ensina. Quem zela pela semente, o destino ilumina.
O feijão tem o gosto de quem madrugou. O leite tem a força de quem não parou. Da fruta na mesa ao trigo no forno. A lavoura é a base, a lavoura é o retorno.
Trabalho silencioso que o asfalto não vê. Mas é ele que faz a cidade crescer.
Enquanto a cidade vive na correria. Na roça, o ritmo é sintonia. Quem consome a festa, muitas vezes, esquece. Que a felicidade no prato cresça. Sem o lavrador, o mundo não para em pé. É ele a engrenagem que nos mantém com fé.
Agradeço ao céu pela chuva caída. E ao braço cansado que sustenta a vida. Cada grão no prato é uma prece antiga. Feita de esperança que a raiz abriga.
Não é mercadoria, é dom sagrado. Fruto do homem e do solo casado.
Obrigado, Raiz. Obrigado, lavrador. Que nos faz feliz.
Seu toque é semente. Germina na gente
A Deus, pela chuva e pelo vento. A você, lavrador, pelo nosso sustento. Com a enxada e a fé no chão. Faz da colheita... nossa razão.
(A viola encerra suavemente com um acorde de Mi Maior aberto) NOTA DO AUTOR:
Esta obra nasceu de um olhar atento para quem alimenta o Brasil com as próprias mãos, mas muitas vezes permanece invisível aos olhos da cidade.
Sempre que passava por uma plantação, via o lavrador sob o sol, chapéu de palha, enxada no ombro, e pensava: "Que história há por trás dessas mãos calejadas?"
Um dia, entendi: não são apenas mãos de trabalhador. São mãos de guardiões. Guardiões de 10.000 anos de história agrícola — das margens do Nilo aos campos do Brasil.
"Raiz do Chão" não é apenas uma homenagem. É um reconheci- mento. É dizer "obrigado" a quem ergue alimentos, mas também ergue famílias, comunidades e o próprio país.
A raiz não aparece. Está escondida debaixo da terra. Mas é ela que sustenta a árvore inteira. Assim é o lavrador: invisível na superfície, essencial na profundidade.
Se você é lavrador, agricultor, ou conhece alguém que trabalha na terra: esta obra é PARA VOCÊ.
Que ela lembre a todos que trabalho digno é poesia. Que suor honrado é declaração de amor ao ofício. E que cada grão colhido é uma palavra num poema maior — o poema de quem cultiva a vida.
Com respeito, admiração e gratidão,
Geremias Bom Sucesso "Poemas que Honram o Brasil"
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