Das margens do Nilo ao cerrado e sertão.
A saga se grava no sulco do chão.
Passaram-se séculos, impérios, nações.
Mas o cultivo persiste em nossas mãos.
O sol ainda dorme, mas o pulso já acorda.
O galo anuncia, o sereno recorda.
Não é só enxada, é extensão do braço.
Quem beija o solo, não tem medo do cansaço.
A semente no bolso é um segredo guardado.
Promessa de futuro no terreno molhado.
A linha da existência desenhada na palma.
Ela carrega o cheiro da mata e da alma.
Não é só barro, é história e mistura.
Cada calo é medalha, cada sulco, escritura.
Quem planta o sustento não pede favor.
É o esforço que constrói o nosso valor.
Salve a raiz que segura o chão.
Salve o homem que é dono do próprio pão.
Na lida bruta, nasce a poesia.
Transformando o suor em cada dia.
Agricultor, alicerce da nação.
O Brasil brota no seu coração.
Vem tempo de plantio, vem tempo de colheita.
Tem lua que cresce, tem chuva que aceita.
O lavrador sabe, não consulta relógio.
O campo obedece a um antigo prólogo.
E quando a nuvem se abre em oração.
A terra responde com o fruto na mão.
O que foi plantado com fé e cuidado.
Vira o alimento do povo abençoado.
O avô aponta para o horizonte distante.
O filho herda o olhar vigilante.
Não é só propriedade, é legado de gente.
Passado de gerações, firmemente.
O neto pergunta, o velho ensina.
Quem zela pela semente, o destino ilumina.
O feijão tem o gosto de quem madrugou.
O leite tem a força de quem não parou.
Da fruta na mesa ao trigo no forno.
A lavoura é a base, a lavoura é o retorno.
Trabalho silencioso que o asfalto não vê.
Mas é ele que faz a cidade crescer.
Enquanto a cidade vive na correria.
Na roça, o ritmo é sintonia.
Quem consome a festa, muitas vezes, esquece.
Que a felicidade no prato cresça.
Sem o lavrador, o mundo não para em pé.
É ele a engrenagem que nos mantém com fé.
Agradeço ao céu pela chuva caída.
E ao braço cansado que sustenta a vida.
Cada grão no prato é uma prece antiga.
Feita de esperança que a raiz abriga.
Não é mercadoria, é dom sagrado.
Fruto do homem e do solo casado.
Obrigado, Raiz.
Obrigado, lavrador.
Que nos faz feliz.
Seu toque é semente.
Germina na gente
A Deus, pela chuva e pelo vento.
A você, lavrador, pelo nosso sustento.
Com a enxada e a fé no chão.
Faz da colheita... nossa razão.
(A viola encerra suavemente com um acorde de Mi Maior aberto)
Geremias
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NOTA DO AUTOR:
Esta obra nasceu de um olhar atento para quem alimenta o
Brasil com as próprias mãos, mas muitas vezes permanece
invisível aos olhos da cidade.
Sempre que passava por uma plantação, via o lavrador sob
o sol, chapéu de palha, enxada no ombro, e pensava: "Que
história há por trás dessas mãos calejadas?"
Um dia, entendi: não são apenas mãos de trabalhador. São
mãos de guardiões. Guardiões de 10.000 anos de história
agrícola — das margens do Nilo aos campos do Brasil.
"Raiz do Chão" não é apenas uma homenagem. É um reconheci-
mento. É dizer "obrigado" a quem ergue alimentos, mas
também ergue famílias, comunidades e o próprio país.
A raiz não aparece. Está escondida debaixo da terra. Mas
é ela que sustenta a árvore inteira. Assim é o lavrador:
invisível na superfície, essencial na profundidade.
Se você é lavrador, agricultor, ou conhece alguém que
trabalha na terra: esta obra é PARA VOCÊ.
Que ela lembre a todos que trabalho digno é poesia. Que
suor honrado é declaração de amor ao ofício. E que cada
grão colhido é uma palavra num poema maior — o poema de
quem cultiva a vida.
Com respeito, admiração e gratidão,
Geremias Bom Sucesso
"Poemas que Honram o Brasil"