
Não tenho tempo a perder
Data 27/02/2026 01:17:13 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Não tenho tempo a perder. O relógio já não é objeto, é sentença. Cada segundo me cobra uma coragem Que ontem eu fingia possuir E hoje me falta como ar em peito aflito. Cansei das estradas que não levam, Dos “talvez” que se vestem de promessa, Dos planos que nascem com o vício da dúvida. Quero o chão firme das certezas possíveis, Mesmo que modestas, mesmo que breves. Já não negocio com miragens. Aprendi que a esperança também cansa Quando vive de hipóteses frágeis. Agora só me interessa o que respira realidade, O que aceita nascer imperfeito, mas verdadeiro. Não tenho tempo para ensaios eternos, Nem para o conforto morno das indecisões. Quero o risco lúcido das escolhas, A dignidade de tentar o que pode florescer, A paz severa de não mentir para mim mesmo. Se é para caminhar, que seja na mesma direção. Se é para sonhar, que haja matéria no sonho. Se é para esperar, que a espera construa. Pois o tempo, esse credor impiedoso, Não perdoa vidas adiadas. Sigo, menos ingênuo, mais atento: Não buscando garantias impossíveis, Mas aquilo que, apesar de tudo, Tem a rara e silenciosa vocação De dar certo. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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