Poemas -> Reflexão : 

Não tenho tempo a perder

 
Não tenho tempo a perder.
O relógio já não é objeto, é sentença.
Cada segundo me cobra uma coragem
Que ontem eu fingia possuir
E hoje me falta como ar em peito aflito.

Cansei das estradas que não levam,
Dos “talvez” que se vestem de promessa,
Dos planos que nascem com o vício da dúvida.
Quero o chão firme das certezas possíveis,
Mesmo que modestas, mesmo que breves.

Já não negocio com miragens.
Aprendi que a esperança também cansa
Quando vive de hipóteses frágeis.
Agora só me interessa o que respira realidade,
O que aceita nascer imperfeito, mas verdadeiro.

Não tenho tempo para ensaios eternos,
Nem para o conforto morno das indecisões.
Quero o risco lúcido das escolhas,
A dignidade de tentar o que pode florescer,
A paz severa de não mentir para mim mesmo.

Se é para caminhar, que seja na mesma direção.
Se é para sonhar, que haja matéria no sonho.
Se é para esperar, que a espera construa.
Pois o tempo, esse credor impiedoso,
Não perdoa vidas adiadas.

Sigo, menos ingênuo, mais atento:
Não buscando garantias impossíveis,
Mas aquilo que, apesar de tudo,
Tem a rara e silenciosa vocação
De dar certo.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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