
O Equívoco Escarlate
Data 06/03/2026 20:18:56 | Tópico: Poemas
| Lá vai ela, farol de cetim berrante entre carvalhos e musgo. Berra. Elefante de óculos escuros na penumbra. Vermelho, alvo.
Progenitora no cadeirão da incoerência, diz: “Avança.” Mãe que não visita a própria mãe? Empurra a filha, que é mais afoita.
O bosque ferve de dentes. Perigos óbvios. E ela vai.
Mandar a jovem ao lobo — estratégia? Sem colete, apenas com tino escasso e sem seguro de vida.
O “outro” agradece o serviço de entregas ao domicílio. O atalho é um convite para o abismo.
Instruções maternas são letras pequenas. Ninguém lê.
Mãe ausente, avó que aguente a digestão.
A vida é este bosque onde o GPS morre.
Não é um conto — é erro de planeamento. Concreto.
Um capuz que esconde tudo. Menos a parvoíce.
Carlos Lopes
Olá Poetas,
Este poema nasce de um pequeno desconforto antigo, sobretudo desde a infância: a estranha naturalidade com que certos contos infantis aceitam decisões bastante duvidosas.
Partindo de uma história amplamente conhecida (adivinhem qual), o poema procura olhar para esse universo através de um narrador mais ressabiado do que ingénuo. O resultado é uma observação ligeiramente satírica sobre escolhas, responsabilidades e sobre a curiosa capacidade humana de ignorar perigos evidentes.
Qualquer semelhança com factos reais é pura coincidência…
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