
Princesinha
Data 15/03/2026 12:40:17 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Quando a Vila Maria Ainda aprendia o próprio nome, O rio já a chamava em segredo. Não com palavras, mas com reflexos, Com o ouro trêmulo das tardes E o silêncio antigo das correntezas. Cáceres era barro, passo, espera. Casas baixas cochichando histórias, Varandas bordadas de vento e lembranças, Como se o tempo ali caminhasse descalço Para não ferir a memória. Então alguém viu, ou sentiu, Que o rio não a atravessava apenas, Mas a escolhia. Como se coroasse em águas mansas Uma realeza sem trono, sem pressa. Princesinha. Não pela grandeza, Mas pela delicadeza de existir à margem, Pela graça serena de quem não disputa, Apenas permanece. E o Rio Paraguai, velho e paciente, Seguiu passando como quem guarda um segredo: Sabendo que certas cidades Não apenas nascem, São lentamente encantadas. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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