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Princesinha

 
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Princesinha
 
Quando a Vila Maria
Ainda aprendia o próprio nome,
O rio já a chamava em segredo.
Não com palavras, mas com reflexos,
Com o ouro trêmulo das tardes
E o silêncio antigo das correntezas.

Cáceres era barro, passo, espera.
Casas baixas cochichando histórias,
Varandas bordadas de vento e lembranças,
Como se o tempo ali caminhasse descalço
Para não ferir a memória.

Então alguém viu, ou sentiu,
Que o rio não a atravessava apenas,
Mas a escolhia.
Como se coroasse em águas mansas
Uma realeza sem trono, sem pressa.

Princesinha.
Não pela grandeza,
Mas pela delicadeza de existir à margem,
Pela graça serena de quem não disputa,
Apenas permanece.

E o Rio Paraguai, velho e paciente,
Seguiu passando como quem guarda um segredo:
Sabendo que certas cidades
Não apenas nascem,
São lentamente encantadas.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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Enviado por Tópico
gillesdeferre
Publicado: 15/03/2026 13:27  Atualizado: 15/03/2026 13:27
Colaborador
Usuário desde: 14/06/2024
Localidade:
Mensagens: 518
 Re: Princesinha
Poema espetacular. Os três últimos versos são de cortar a respiração.

Parabéns

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