
A nudez final
Data 24/03/2026 19:16:20 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| O eterno nada não é um abismo, É um silêncio paciente, Anterior ao nome das coisas. Ele não devora, aguarda. Nasce do querer, Esse sopro inquieto que inventa sentidos, Que veste o vazio com promessas E chama de destino o que é apenas desejo. Mas o saber chega como inverno. Não grita, não fere, retira. Apaga as tintas, dissolve os contornos, Revela que toda certeza era febre. Então o nada, já sem disfarces, Não é ausência nem castigo: É a nudez final de tudo o que foi sonho. Querer é criar mundos. Saber é assistir à sua lenta despedida. E entre ambos, respiramos, Breves, intensos, quase eternos. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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