O eterno nada não é um abismo,
É um silêncio paciente,
Anterior ao nome das coisas.
Ele não devora, aguarda.
Nasce do querer,
Esse sopro inquieto que inventa sentidos,
Que veste o vazio com promessas
E chama de destino o que é apenas desejo.
Mas o saber chega como inverno.
Não grita, não fere, retira.
Apaga as tintas, dissolve os contornos,
Revela que toda certeza era febre.
Então o nada, já sem disfarces,
Não é ausência nem castigo:
É a nudez final de tudo o que foi sonho.
Querer é criar mundos.
Saber é assistir à sua lenta despedida.
E entre ambos, respiramos,
Breves, intensos, quase eternos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense