RUÍNAS URBANAS

Data 25/03/2026 01:47:02 | Tópico: Poemas

RUÍNAS URBANAS

(Augusto Cola)

O mato invade a cinza do asfalto
O vento ecoa em salas de concreto
Sapatos novos esquecidos no hall
Um resto de sol me serve de alento

A noite estende sua sombra no muro
O medo espreita entre frestas janelas
O pulso aperta o silêncio do peito
Onde o deserto fez seu próprio reino

Fantasmas de vozes flutuam no ar
Assombram as paredes descascadas
O vento devora tudo o que resta

Eu sou o deserto que a noite habita
Minha voz se cala no meio do nada
E o rancor floresce em meu coração



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