RUÍNAS URBANAS
(Augusto Cola)
O mato invade a fenda do asfalto
Ecoa o vento em salas de concreto
Sapatos gastos esquecidos no hall
Um resto de sol me serve de alento
A noite estende seu braço no muro
O medo espreita em frestas sem janelas
O pulso aperta o silêncio do peito
Onde o deserto fez seu próprio reino
Fantasmas de vozes flutuam no ar
E riscam as paredes descascadas
O vento devora tudo o que resta
Eu sou o deserto que a noite habita
Minha voz se cala no meio do nada
E o rancor floresce em meu coração
Uma vida, outra ida e na brisa lenta o vento tenta, venta, inventa...eterna partida.