VAREJEIRA

Data 28/03/2026 20:52:43 | Tópico: Sonetos

VAREJEIRA

Como quem s’entretém a espantar mosca
De sonhos na vitrina d’uma venda,
E vive em estranhíssima contenda,
Ciumento dos confeitos sobre a rosca…

Assim, eu só — nos fundos da birosca! —
Salivava às quitandas da merenda,
Sonhando para mim alguma senda
Para além d'esta vida um tanto tosca.

Era mais uma tarde. Mais um dia.
A mosca que ia e vinha, todavia,
Despertava-me do baldo devaneio.

E eu, que não sei vender nem guloseimas,
Passava horas às voltas com toleimas,
Vendo a mosca nos sonhos sem receio.

Betim - 04 12 2025



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=383176