VAREJEIRA
Como quem s’entretém a espantar mosca
De sonhos na vitrina d’uma venda,
E vive em estranhíssima contenda,
Ciumento dos confeitos sobre a rosca…
Assim, eu só — nos fundos da birosca! —
Salivava às quitandas da merenda,
Sonhando para mim alguma senda
Para além d'esta vida um tanto tosca.
Era mais uma tarde. Mais um dia.
A mosca que ia e vinha, todavia,
Despertava-me do baldo devaneio.
E eu, que não sei vender nem guloseimas,
Passava horas às voltas com toleimas,
Vendo a mosca nos sonhos sem receio.
Betim - 04 12 2025
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.