Sonetos : 

VAREJEIRA

 
Tags:  SONETOS 2025  
 
VAREJEIRA

Como quem s’entretém a espantar mosca
De sonhos na vitrina d’uma venda,
E vive em estranhíssima contenda,
Ciumento dos confeitos sobre a rosca…

Assim, eu só — nos fundos da birosca! —
Salivava às quitandas da merenda,
Sonhando para mim alguma senda
Para além d'esta vida um tanto tosca.

Era mais uma tarde. Mais um dia.
A mosca que ia e vinha, todavia,
Despertava-me do baldo devaneio.

E eu, que não sei vender nem guloseimas,
Passava horas às voltas com toleimas,
Vendo a mosca nos sonhos sem receio.

Betim - 04 12 2025


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
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RicardoC
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