
Da Páscoa (161ª Poesia de um Canalha)
Data 03/04/2026 13:16:40 | Tópico: Poemas
| Escrito a palavras baratas e impropérios Com incalculável beleza quase duvidosa Esvoaçava nos olhos distraídos do poeta O inútil navegante das lágrimas dos rios E dos prantos amados em cores de rosa Que ali lhe desceram a face de tez preta
As mãos gastas no uso e desuso da vida Dão-lhe o ar velho e enrugado de árvore Naquele aspecto sublime de se ser maior Quase Deus e apóstolo da causa perdida Com pintado epitáfio na tábua mármore Onde bom povo o deite e néscio o adore
Dobra-se nuns sinos essa voz de devoção Gritante eco qu'esta dor mortal quer viva Que seguia em suaves pedras nus passos Num canto iam todos no afogo da oração De veste rasgada na humilde alma cativa Sem mais caminhos ou espaços ou laços
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