Escrito a palavras baratas e impropérios
Com incalculável beleza quase duvidosa
Esvoaçava nos olhos distraídos do poeta
O inútil navegante das lágrimas dos rios
E dos prantos amados em cores de rosa
Que ali lhe desceram a face de tez preta
As mãos gastas no uso e desuso da vida
Dão-lhe o ar velho e enrugado de árvore
Naquele aspecto sublime de se ser maior
Quase Deus e apóstolo da causa perdida
Com pintado epitáfio na tábua mármore
Onde bom povo o deite e néscio o adore
Dobra-se nuns sinos essa voz de devoção
Gritante eco qu'esta dor mortal quer viva
Que seguia em suaves pedras nus passos
Num canto iam todos no afogo da oração
De veste rasgada na humilde alma cativa
Sem mais caminhos ou espaços ou laços
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma