
Colunas de fumaça
Data 09/04/2026 00:12:54 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| As bombas sempre falam primeiro. Elas não pedem licença à história, Nem consultam a consciência. Erguem-se como nuvens negras Que fingem ser tempestades, Mas não trazem chuva, apenas cinza. Do chão rasgado da terra Sobem colunas de fumaça Que tentam imitar o céu. São nuvens poluídas de medo, De ódio antigo, De decisões tomadas em salas silenciosas Onde ninguém ouve o choro das cidades. Enquanto isso, Em algum lugar entre os escombros do mundo, Palavras frágeis continuam tentando nascer. Palavras melancólicas, Escritas com a tinta escura da esperança ferida. Elas batem, uma a uma, Contra os escudos invisíveis da ignorância humana. Escudos que não são de aço, Nem de pedra, mas de orgulho, De propaganda, De certezas Que nunca aprenderam a duvidar de si mesmas. As palavras insistem. São pequenas, Quase ridículas diante do estrondo das bombas. Mas ainda assim se levantam, Como ervas teimosas entre as ruínas. Porque talvez, apenas talvez, Uma única frase compreendida Seja mais poderosa Do que mil explosões celebradas. Quando as nuvens da guerra Finalmente se dissiparem, Não será a fumaça Que permanecerá na memória do mundo. Serão as palavras Que conseguiram atravessar A muralha silenciosa da ignorância E lembrar aos homens Que eles nasceram para construir céu, Não para fabricarem Novas nuvens de destruição. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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