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Colunas de fumaça

 
Colunas de fumaça
 
As bombas sempre falam primeiro.
Elas não pedem licença à história,
Nem consultam a consciência.
Erguem-se como nuvens negras
Que fingem ser tempestades,
Mas não trazem chuva, apenas cinza.

Do chão rasgado da terra
Sobem colunas de fumaça
Que tentam imitar o céu.
São nuvens poluídas de medo,
De ódio antigo,
De decisões tomadas em salas silenciosas
Onde ninguém ouve o choro das cidades.

Enquanto isso,
Em algum lugar entre os escombros do mundo,
Palavras frágeis continuam tentando nascer.
Palavras melancólicas,
Escritas com a tinta escura da esperança ferida.
Elas batem, uma a uma,
Contra os escudos invisíveis da ignorância humana.

Escudos que não são de aço,
Nem de pedra, mas de orgulho,
De propaganda,
De certezas
Que nunca aprenderam a duvidar de si mesmas.

As palavras insistem.
São pequenas,
Quase ridículas diante do estrondo das bombas.
Mas ainda assim se levantam,
Como ervas teimosas entre as ruínas.
Porque talvez, apenas talvez,
Uma única frase compreendida
Seja mais poderosa
Do que mil explosões celebradas.

Quando as nuvens da guerra
Finalmente se dissiparem,
Não será a fumaça
Que permanecerá na memória do mundo.
Serão as palavras
Que conseguiram atravessar
A muralha silenciosa da ignorância
E lembrar aos homens
Que eles nasceram para construir céu,
Não para fabricarem
Novas nuvens de destruição.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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Autor
Odairjsilva
 
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