
Tributo a Luiz Vaz de Camões - Estrofe 83ª - Vol I
Data 12/04/2026 09:46:41 | Tópico: Poemas
| Longos os caminhos que aos sonhos nos levam Os olhos abraçados às cores que a vida nos dá Ungem com beleza e fealdade enrugadas mãos Vagas nas palavras qu’os nossos receios calam Armadilhas num destino onde horizonte não há Resta-lhes fraqueza e coragem d’iguais irmãos
Outras gentes caídas pela terra em jeito de fim Soterrada dessas tão desassossegadas almas Vagueiam p’lo céu em asas de vento sem porto Ordem sem caos que é quimera de chão assim Sibila aos doces inocentes ocultos nas brumas Serpenteada vozearia num corpo vivo ou morto
Onde houvera mundos maiores ainda que este Silêncios a ecoar nas nossas memórias velhas Como punhais no corpo que modorrou na essa Ouviram liras e aulos na gritada dor da peste Medos que do olhar desferem alvas centelhas Ódio que de amor sucumbe e bom poeta versa
Nus e descrentes muros de Sodoma e Gomorra Ajoelhados pela ímpar ímpia condição humana Servos de bem e mal exarados na pedra de sal E esse poder divino que do chão fez masmorra Sentiu nas chagas dor que de seu peito emana Treita aforada por tal deus diabo quase mortal
Resigna-s’o infausto sonhar ser mais qu’gente Almejam homens voar mais alto que seus reis Navegar mais longe que o sal na água do mar Haurem poetas sentir na voz a força pungente Aquela dos poemas qu’lhe choram insaciáveis Sofrida a existência de inspirar um novo amar
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