Longos os caminhos que aos sonhos nos levam
Os olhos abraçados às cores que a vida nos dá
Ungem com beleza e fealdade enrugadas mãos
Vagas nas palavras qu’os nossos receios calam
Armadilhas num destino onde horizonte não há
Resta-lhes fraqueza e coragem d’iguais irmãos
Outras gentes caídas pela terra em jeito de fim
Soterrada dessas tão desassossegadas almas
Vagueiam p’lo céu em asas de vento sem porto
Ordem sem caos que é quimera de chão assim
Sibila aos doces inocentes ocultos nas brumas
Serpenteada vozearia num corpo vivo ou morto
Onde houvera mundos maiores ainda que este
Silêncios a ecoar nas nossas memórias velhas
Como punhais no corpo que modorrou na essa
Ouviram liras e aulos na gritada dor da peste
Medos que do olhar desferem alvas centelhas
Ódio que de amor sucumbe e bom poeta versa
Nus e descrentes muros de Sodoma e Gomorra
Ajoelhados pela ímpar ímpia condição humana
Servos de bem e mal exarados na pedra de sal
E esse poder divino que do chão fez masmorra
Sentiu nas chagas dor que de seu peito emana
Treita aforada por tal deus diabo quase mortal
Resigna-s’o infausto sonhar ser mais qu’gente
Almejam homens voar mais alto que seus reis
Navegar mais longe que o sal na água do mar
Haurem poetas sentir na voz a força pungente
Aquela dos poemas qu’lhe choram insaciáveis
Sofrida a existência de inspirar um novo amar
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma