
O OFÍCIO DE CEDER
Data 19/04/2026 17:37:53 | Tópico: Poemas
| O amor entra pelos poros, sem bater a casa cede milímetros, cada elo é belo, a dobradiça aprende, no silêncio, só vence em seu ofício de ceder.
A água cai, o corpo leve: recua ou acolhe. O desejo é lâmpada corredor em que o escuro morava só. A luz demora entre os dedos,
Aceso, consinto. Ergo muros, na certeza do dia irão cair. O teto a telha racha, a luz entra, Há o cupim que mora na viga.
Há chuva que encontra a fresta. Ainda assim, levanto com o vento. Abro o vão em direção ao céu. A poeira e o pasto são memórias.
Amar é escutar a própria fome sem calá-la, até que aprenda a dizer O nome daquilo que o corpo precisa. ou perece. Depois, é estranho:
Aprende-se a morar em ruína como quem insiste em chamar de lar. A louça suja, a roupa puída, A comida fria e a geladeira vazia.
O telhado ausente. Os lençóis desarrumados. Começar outra vez, afinal, não é bravura — é exaustão que não sabe mais desistir.
O lugar ao meu lado conserva, ainda, a forma de quem não volta. Abro portas. Que o vento entre e ordene o que de mim escapou.
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