
Espelhos d’Água
Data 19/04/2026 22:34:10 | Tópico: Poemas
| A memória suspira fugaz no útero do tempo, e de vez em quando o coração desvanece. É tenebrosa a solidão de um encontro que sente; já escrevi isto em algum lugar de areia na minha mente...
Rendo-me, indecente, à força atroz da gravidade. De vez em quando observo as férias das flores, e o acasalamento súbito das borboletas no meu repentinamente perfumado piso de madeira.
Esqueço-me de desenterrar os céus uma vez por semana. Também tenho por destino o adeus: fruto da nossa feroz esfera efêmera...
Desaprendo o canto das cachoeiras e das efemérides, forjando o pensamento em uma só lágrima veloz, incandescente...
De vez em quando a noite emudece ilusões e os violinos movem-se furtivamente às badaladas da meia-noite; então adormeço na lucidez dos meus imensos espelhos d’água.
Sei que perderemos, eventualmente, o espaço etéreo das horas; não seríamos capazes de encontrar no mapa segundos de sonhos desaparecidos.
De vez em quando, mergulhada na insônia cortante do ser, não temo arregaçar a garganta e a alma... É preciso de um pouco de dor e voz para compor um poema.
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