A memória suspira fugaz no útero do tempo,
e de vez em quando o coração desvanece.
É tenebrosa a solidão de um encontro que sente;
já escrevi isto em algum lugar de areia na minha mente...
Rendo-me, indecente, à força atroz da gravidade.
De vez em quando observo as férias das flores,
e o acasalamento súbito das borboletas
no meu repentinamente perfumado piso de madeira.
Esqueço-me de desenterrar os céus uma vez por semana.
Também tenho por destino o adeus: fruto da nossa feroz esfera efêmera...
Desaprendo o canto das cachoeiras e das efemérides,
forjando o pensamento em uma só lágrima veloz, incandescente...
De vez em quando a noite emudece ilusões
e os violinos movem-se furtivamente
às badaladas da meia-noite;
então adormeço na lucidez dos meus imensos espelhos d’água.
Sei que perderemos, eventualmente, o espaço etéreo das horas;
não seríamos capazes de encontrar no mapa segundos de sonhos desaparecidos.
De vez em quando, mergulhada na insônia cortante do ser,
não temo arregaçar a garganta e a alma...
É preciso de um pouco de dor e voz para compor um poema.