
EM UM BAIRRO QUALQUER
Data 20/04/2026 05:17:06 | Tópico: Poemas
| Um bairro qualquer, meia-voz, os cães latem baixo Meninos correm, e a queda onde cada parte é osso.
Correr antes da fome, sumir no tempo incerto, chorar longe das câmeras. Entulhos da igreja, guerra.
A mulher decifra botas militares massacram jardins de flores num cemitério, mistério, assunto sério.
Páginas rasgadas, uma biblioteca destruída um trecho da Ilíada: os heróis contemplam.
A morte no cadáver inimigo. um espelho de si mesmos. Numa cidade portuária, Nenhuma ária canta o dia
Uma mulher fecha cortinas No fundo do poço concretado. Belos "heróis" absolvidos com medalhas de ternura.
A matilha humana livre mira em peitos lactantes, rouba doces de aniversário e a luz dos olhos de bebês.
Monstros de histórias infantis existem nos telejornais nas esquinas, nos eventos com a altivez que se impõem.
O narrador tem respostas. Apaga a vela, com um sopro, Fumaça do cano, dedo no gatilho uma página contada, limpa.
Porque o fogo limpa tudo A culpa dos imperdoáveis, A prosperidade é a carne, E as vísceras explodindo.
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