Num bairro à meia-voz,
os cães latem baixo
Meninos correm, e a queda
onde cada parte é osso.
Correr antes da fome,
sumir no tempo incerto,
chorar longe das câmeras.
Entulhos da igreja, guerra.
A mulher decifra botas
militares massacram jardins
de flores num cemitério,
mistério, assunto sério.
Páginas rasgadas,
uma biblioteca destruída
um trecho da Ilíada:
os heróis contemplam.
A morte no cadáver inimigo.
um espelho de si mesmos.
Numa cidade portuária,
Nenhuma ária canta o dia
Uma mulher fecha cortinas
No fundo do poço concretado.
Belos "heróis" absolvidos
com medalhas de ternura.
A matilha humana livre
mira em peitos lactantes,
rouba doces de aniversário
e a luz dos olhos de bebês.
Monstros de histórias infantis
existem nos telejornais
nas esquinas, nos eventos
com a altivez que se impõem.
O narrador tem respostas.
Apaga a vela, com um sopro,
Fumaça do cano, dedo no gatilho
uma página contada, limpa.
Porque o fogo limpa tudo
A culpa dos imperdoáveis,
A prosperidade é a carne,
E as vísceras explodindo.
Souza Cruz