
Móveis e sócios e patas
Data 26/04/2026 22:18:44 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
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o devorador de livros entrava sempre engalanado a estante fula só dizia palavrões à conta das prateleiras de pernas abertas
bem que tentou uma providência cautelar mas como o juiz não tinha dedos lambidos ao invés de providenciar prescreveu-lhe óleo de cedro para moGno se bem que num engasgo dobrou a língua e saiu-lhe "mono" ou então talvez nunca tenha descoberto um ponto G
restou-lhe voltar a casa de charrete
no caminho de regresso deparou-se com um bispo a cavalo duma torre que também lhe passou a mão nas tábuas mesmo sabendo-as intoxicadas com cotão confiava nas térmites sabia que iam apagar o rastro mas Deus nunca lhe perdoaria nem que lesse todos os livros da bíblia Teca
coitado do mobiliário frustrado de volta ao poiso mofado sem chance de trancar portas mais cedo regressasse mais rápido se reabria a porta e já se escancaravam as prateleiras
a mesa oportunista agradecia ao devorador ele arrancava as capas antes de ler assim os livros nus limpavam-lhe o pó e como o dito folheava de dedos lambidos acabava a pavonear-se com o lustro três à coroa de brilho potenciado pelo óleo de cedro para monos visco de pontos G
hoje em dia tudo está mudado só se fala de pen's nos buracos USB os juízes são os mesmos as igrejas dormem quando convém e tudo se resume a redes sócios e patas
26-04-2026
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