o devorador de livros entrava sempre engalanado
a estante fula só dizia palavrões
à conta das prateleiras de pernas abertas
bem que tentou uma providência cautelar
mas como o juiz não tinha dedos lambidos
ao invés de providenciar
prescreveu-lhe óleo de cedro para moGno
se bem que num engasgo dobrou a língua e saiu-lhe "mono"
ou então talvez nunca tenha descoberto um ponto G
restou-lhe voltar a casa de charrete
no caminho de regresso
deparou-se com um bispo a cavalo duma torre
que também lhe passou a mão nas tábuas
mesmo sabendo-as intoxicadas com cotão
confiava nas térmites
sabia que iam apagar o rastro
mas Deus nunca lhe perdoaria
nem que lesse todos os livros da bíblia Teca
coitado do mobiliário frustrado
de volta ao poiso mofado
sem chance de trancar portas
mais cedo regressasse
mais rápido se reabria a porta
e já se escancaravam as prateleiras
a mesa oportunista agradecia ao devorador
ele arrancava as capas antes de ler
assim os livros nus limpavam-lhe o pó
e como o dito folheava de dedos lambidos
acabava a pavonear-se com o lustro
três à coroa de brilho
potenciado pelo óleo de cedro para monos
visco de pontos G
hoje em dia tudo está mudado
só se fala de pen's nos buracos USB
os juízes são os mesmos
as igrejas dormem quando convém
e tudo se resume a redes
sócios e patas
26-04-2026