
Sobre a morte
Data 04/05/2026 02:52:19 | Tópico: Poemas
| Sobre a morte
A morte não chega como um grito, chega como um silêncio que aprende a ficar.
Não bate à porta com urgência— apenas muda a forma da luz num quarto que continua a existir sem quem o habitava.
É a ausência que não faz ruído, mas reorganiza tudo à sua volta: nomes ficam mais leves, objetos perdem o seu destino, e o tempo passa a lembrar em vez de seguir em frente.
Não há mapa para esse lugar onde alguém deixa de caber no mundo, só um espaço que insiste em parecer presença. E ainda assim, entre a dor e o espanto, fica algo que não se perde: o que foi amor recusa desaparecer completamente.
Talvez seja isso a morte— não um fim imediato, mas uma forma lenta de o invisível continuar a tocar-nos.
© | Palavras guardadas, todos os direitos reservados, Paula Oliveira,Portugal
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