
As Geografias do Afeto - Chris Katz
Data 04/05/2026 14:44:54 | Tópico: Poemas
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As Geografias do Afeto
Há uma vida que pulsa nas janelas acesas ao cair da noite, Onde mãos desconhecidas partilham o pão e o cansaço. Nas esquinas da cidade, o amor é um lance de dados, um açoite, Ou um abraço que se busca no vácuo de um longo espaço. A vida não é apenas o que se vive, mas o que se imagina, Nos olhos do estranho que passa e na sombra que declina.
O amor, por vezes, é uma estrada que ninguém mais percorre, Um jardim de estátuas onde o tempo esqueceu de passar. Há quem ame em silêncio, como uma fonte que nunca morre, E quem se perca em palavras, sem nunca saber o que é amar. O afeto é essa moeda de ouro lançada em águas profundas, Que brilha no fundo do peito, entre as horas mais moribundas.
Vê os navios que partem para portos que o mapa não diz, Levando os quereres de homens que buscam um novo matiz. A vida é esse tear onde a dor e o prazer são o mesmo fio, Tecendo a capa do rei e a túnica de quem sente o frio. Não há destino que seja pequeno, nem sonho que seja em vão, Pois tudo o que vibra na Terra é o eco de um só coração.
Pelas ruas da história, o tempo caminha como um mendigo, Recolhendo os restos de glórias e o pó de um antigo abrigo. Mas enquanto houver uma voz que se levante para cantar o eterno, O mundo, em sua dança de sombras, não conhecerá o inverno. Viver é esse ofício de ser, ao mesmo tempo, o arco e a seta, Buscando no centro da vida a verdade que nunca é secreta.
Chris Katz
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