Poemas :
As Geografias do Afeto - Chris Katz

As Geografias do Afeto
Há uma vida que pulsa nas janelas acesas ao cair da noite,
Onde mãos desconhecidas partilham o pão e o cansaço.
Nas esquinas da cidade, o amor é um lance de dados, um açoite,
Ou um abraço que se busca no vácuo de um longo espaço.
A vida não é apenas o que se vive, mas o que se imagina,
Nos olhos do estranho que passa e na sombra que declina.
O amor, por vezes, é uma estrada que ninguém mais percorre,
Um jardim de estátuas onde o tempo esqueceu de passar.
Há quem ame em silêncio, como uma fonte que nunca morre,
E quem se perca em palavras, sem nunca saber o que é amar.
O afeto é essa moeda de ouro lançada em águas profundas,
Que brilha no fundo do peito, entre as horas mais moribundas.
Vê os navios que partem para portos que o mapa não diz,
Levando os quereres de homens que buscam um novo matiz.
A vida é esse tear onde a dor e o prazer são o mesmo fio,
Tecendo a capa do rei e a túnica de quem sente o frio.
Não há destino que seja pequeno, nem sonho que seja em vão,
Pois tudo o que vibra na Terra é o eco de um só coração.
Pelas ruas da história, o tempo caminha como um mendigo,
Recolhendo os restos de glórias e o pó de um antigo abrigo.
Mas enquanto houver uma voz que se levante para cantar o eterno,
O mundo, em sua dança de sombras, não conhecerá o inverno.
Viver é esse ofício de ser, ao mesmo tempo, o arco e a seta,
Buscando no centro da vida a verdade que nunca é secreta.
Chris Katz
Sou Mundos!
Chris
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