
Rosa dos Ventos Por Chris Katz
Data 07/05/2026 15:29:21 | Tópico: Poemas
| Rosa dos Ventos
No campo aberto, onde o destino mora, A Rosa dos Ventos, de bronze e luz, Cansada de apontar a nova aurora, Deixou o norte que o metal conduz.
Girou o eixo em busca de um sentido, Que não fosse apenas a imensidão, Pois quem conhece o mundo, convertido, Às vezes quer apenas o chão.
Pousou seu brilho sobre a areia quente, E ali, no beijo de um rastro de sol, Achou um Alecrim, verde e valente, Que não carece de nenhum farol.
"Tu que és guia", disse o arbusto manso, "Por que repousas sob o meu dossel? Eu sou o cheiro curto do descanso, Tu és a régua que riscou o céu."
A Rosa, então, em voz de ferro e vento, Respondeu com a calma de quem vê: "De que me vale todo o movimento, Se o mundo inteiro é menos do que crê?
Virei o mar, medi cada hemisfério, Mas perco o rumo se não houver raiz; O teu perfume é o único mistério Que faz da estrada um lugar feliz."
E ali ficaram, sob o azul profundo: O mapa antigo e o broto do jardim. Ela deu norte para todo o mundo, E ele, à Rosa, a alma deu, por fim.
Por Chris Katz
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